TerraFiscal ITR
TerraFiscal ITRTerra Nova Negócios
VTN 2026 · Tabela da Receita Federal

Tabela de VTN 2026: o que mudou em relação a 2025 — comparativo município a município

Por Saulo Carvalho · CRC-MG 101056 7 de agosto de 2026 Leitura: ~10 min
VTN 2026 Tabela da Receita SIPT ITR 2026

A Receita Federal publicou a Tabela de Valores de Terra Nua (VTN) do exercício 2026. Como todo ano, ela não é uma correção uniforme por inflação — e é aí que mora o problema de quem aplica o valor direto na declaração.

Cruzamos a tabela nova com a de 2025, município a município. O retrato é mais irregular do que parece à primeira vista: a mediana nacional de reajuste ficou em 4,7%, próxima da correção esperada, mas atrás dessa média existem dezenas de municípios com quedas de mais de 40%, outros com altas de mais de 200%, e centenas que simplesmente não tinham VTN publicado no ano passado e agora passaram a ter. Também identificamos dois lançamentos que, com grande probabilidade, são erro de digitação na própria tabela oficial.

Tabela de VTN 2026 — arquivo oficial Receita Federal · publicado em 07/08/2026, às 13h47 · PDF
Baixar a tabela ↓

Se você usa o VTN para apurar ITR, montar laudo ou avaliar risco de malha fiscal, vale conferir se o seu município está em alguma das listas abaixo antes de aplicar o valor na declaração.

O panorama geral

Comparando os 2.668 municípios com valor comparável nas duas tabelas, a variação típica ficou entre 2% e 6% — o comportamento esperado de uma atualização anual.

Vale a ressalva metodológica: nem todo município presente nos dois exercícios entra nessa conta. Alguns aparecem com s/informação na coluna usada como referência em um dos anos — casos de Corumbá e Miranda (MS), Ortigueira e Umuarama (PR) ou Itabaiana (SE), por exemplo — e por isso ficam de fora do comparativo de variação, ainda que constem nas duas tabelas.

O Paraná, por exemplo, teve mediana de reajuste de apenas 2,3%, a mais baixa entre os estados com volume relevante de municípios. Mas é justamente lá que aparecem as quedas mais chamativas do país.

Para entender o que o VTN representa, o que ele exclui do valor do imóvel e como a Receita o arbitra pelo SIPT, veja o artigo sobre o Valor da Terra Nua e como consultar o do seu município.

Quedas significativas

Estes municípios tiveram redução de VTN em todas — ou quase todas — as seis categorias de aptidão. Não é falha pontual em uma coluna: é revisão de valor real.

As dez maiores quedas do país, ordenadas pela mediana das seis categorias de aptidão. Comparativo entre as tabelas de VTN 2025 e 2026.
Município/UFVTN Boa 2025VTN Boa 2026VariaçãoMediana
(6 categorias)
Almirante Tamandaré/PRR$ 172.706,56R$ 56.700,00−67,2%−73,9%
Espírito Santo do Dourado/MGR$ 94.504,27R$ 35.026,26−62,9%−62,9%
Campina Grande do Sul/PRR$ 113.496,69R$ 53.400,00−53,0%−62,8%
Marilena/PRR$ 106.000,00R$ 48.700,00−54,1%−56,1%
Espírito Santo do Pinhal/SPR$ 136.295,80R$ 73.840,07−45,8%−55,0%
Cerro Azul/PRR$ 65.150,82R$ 36.000,00−44,7%−54,7%
Monte Castelo/SPR$ 33.622,67R$ 15.342,44−54,4%−54,1%
Doutor Ulysses/PRR$ 74.637,10R$ 33.500,00−55,1%−52,8%
Santa Inês/PRR$ 132.200,00R$ 62.400,00−52,8%−46,5%
Restinga/SPR$ 93.386,26R$ 42.116,42−54,9%−45,5%

Vale destacar o cluster paranaense: seis dos dez maiores cortes do país estão no Paraná, concentrados na região metropolitana de Curitiba (Almirante Tamandaré, Campina Grande do Sul, Cerro Azul e Doutor Ulysses) e no norte e noroeste do estado (Marilena e Santa Inês). Logo abaixo do recorte da tabela vêm outros dois paranaenses no mesmo movimento: Boa Esperança (−44,5%) e Itaguajé (−39,4%).

Um estado com mediana de reajuste positiva e baixa — 2,3% — escondendo revisões dessa magnitude é exatamente o tipo de sinal que pega quem monta a declaração olhando apenas o valor médio da região.

O que explica o cluster do Paraná

A tabela de VTN traz uma última coluna que costuma passar despercebida: a Fonte. Conforme a nota de rodapé do próprio documento, (1) significa que o valor veio do município e (2), de órgão estadual.

Cruzando essa coluna nas duas tabelas, aparece o padrão: sete dos dez maiores cortes do país são municípios que eram fonte 1 em 2025 e passaram a fonte 2 em 2026 — os seis paranaenses da tabela mais Restinga, em São Paulo. Deixaram de ter valor informado pela própria prefeitura e passaram a receber o valor de referência do órgão estadual. O mesmo vale para Boa Esperança e Itaguajé, logo abaixo do recorte: o cluster paranaense são oito municípios, e os oito trocaram de fonte.

O contraste reforça a leitura. Os dois únicos municípios do topo da lista que não mudaram de fonte — Espírito Santo do Pinhal e Monte Castelo, ambos em São Paulo — mantiveram o mesmo informante nos dois anos. Neles, a queda é revisão de valor de verdade.

Isso também explica por que alguns deles ficaram com números idênticos entre si — Santa Inês e Itaguajé, por exemplo, receberam exatamente a mesma linha em 2026 (R$ 62.400,00 / R$ 54.200,00 / R$ 45.300,00 / R$ 37.400,00 / R$ 37.400,00 / R$ 10.800,00). Não é coincidência: é a mesma faixa de referência estadual aplicada aos dois.

Consequência prática. Uma queda dessa magnitude, nesses casos, não significa que a terra desvalorizou — significa que mudou quem informou o valor. Para a apuração do ITR o efeito é o mesmo, mas para sustentar o número numa eventual discussão com o Fisco a diferença é enorme: vale conferir a coluna Fonte antes de concluir que houve desvalorização real.

Altas desproporcionais

Do outro lado, alguns municípios tiveram aumento real e consistente em todas as categorias. Não parecem erro, e sim revisão de mercado ou correção de defasagem histórica:

As sete maiores altas do país, ordenadas pela mediana das seis categorias de aptidão. Comparativo entre as tabelas de VTN 2025 e 2026.
Município/UFVTN Boa 2025VTN Boa 2026VariaçãoMediana
(6 categorias)
Vinhedo/SPR$ 53.921,40R$ 182.157,04+237,8%+335,5%
Alvares Florence/SPR$ 12.288,60R$ 29.365,17+139,0%+209,6%
Caconde/SPR$ 16.543,35R$ 46.929,56+183,7%+193,4%
Bom Jesus/PIR$ 5.000,00R$ 18.538,00+270,8%+188,4%
Rio das Pedras/SPR$ 34.659,98R$ 120.234,80+246,9%+184,3%
Baixa Grande do Ribeiro/PIR$ 10.000,00R$ 18.000,00+80,0%+177,2%
Joaíma/MGR$ 3.254,13R$ 10.000,00+207,3%+157,2%

São Paulo concentra a maior parte dessas altas, com Vinhedo como caso mais extremo — o VTN mais que triplicou. Como a alta aparece de forma consistente nas seis faixas de aptidão, não se trata de erro de digitação isolado.

Há, porém, um detalhe que ajuda a entender o salto: em 2026, Vinhedo passou a ter exatamente os mesmos seis valores de Valinhos, município vizinho — R$ 182.157,04 na aptidão Boa, e assim por diante em todas as faixas. Em 2025 os dois tinham valores bem distintos, e Valinhos, que já partia de patamar alto, teve reajuste normal de cerca de 4%. Ou seja: Vinhedo não subiu sozinho; passou a compartilhar a faixa de referência do vizinho.

Quem tem cliente com propriedade nesses municípios precisa conferir se a base de cálculo do ITR não vai disparar sem aviso. A calculadora de ITR ajuda a dimensionar o efeito antes de fechar a declaração.

Estados e municípios que passam a integrar a lista

Nem toda mudança é de valor — parte é de cobertura. A tabela 2026 traz 3.076 municípios, contra 2.768 em 2025: +308 no líquido, resultado de 379 entradas e 71 saídas.

Dois estados aparecem pela primeira vez na lista: Acre e Paraíba, que antes não tinham nenhum município publicado. Com eles, a tabela passa a cobrir 22 unidades da federação, contra 20 em 2025.

Os 379 municípios que passam a ter VTN publicado em 2026 se distribuem assim:

Municípios presentes na tabela de VTN 2026 que não constavam na de 2025.
UFMunicípios novos
Santa Catarina161
Pará121
Goiás17
Rio Grande do Sul15
Bahia14
Piauí11
Tocantins11
Mato Grosso8
Sergipe5
Minas Gerais5
Maranhão3
Rondônia3
Mato Grosso do Sul2
Paraíba2
Acre1

Santa Catarina e Pará puxam quase toda a expansão: SC saltou de 58 para 217 municípios cobertos, e PA foi de 23 para 144.

Adendo técnico. Em boa parte dos municípios novos de SC e PA, apenas a coluna "Preservação da Fauna e da Flora" veio preenchida — as outras cinco categorias constam como s/informação. A cobertura aumentou, mas ainda não é completa nesses estados.

Na direção oposta, 71 municípios que estavam na tabela de 2025 não aparecem na de 2026, com maior concentração em Goiás (16), Minas Gerais (10), Rio Grande do Sul (9), Piauí (8) e Tocantins (8). A tabela não permite afirmar se isso decorre de ausência de atualização municipal ou de remoção editorial — o recomendado é conferir a fonte original antes de informar a um cliente que o município "não tem mais VTN".

Atenção: prováveis erros de digitação na tabela oficial

Dois lançamentos chamam atenção por um motivo diferente: o valor de "Lavoura Aptidão Boa" dispara enquanto as outras cinco colunas do mesmo município seguem no padrão normal do ano. É um sinal clássico de dígito a mais na planilha de origem, não de revisão de mercado.

Divergência entre a coluna "Lavoura Aptidão Boa" e o comportamento das demais categorias no mesmo município.
Município/UFVTN Boa 2025VTN Boa 2026Var. "Boa"Var. demais
categorias
Itamarajú/BAR$ 28.000,00R$ 292.348,04+944,1%+4,4%
Francisco Badaró/MGR$ 5.500,00R$ 60.000,00+990,9%+11,1%

Em Itamarajú a conta fecha de forma quase aritmética. As cinco outras colunas do município subiram exatamente 4,41% cada uma — de R$ 24.000,00 para R$ 25.058,40 na "Regular", de R$ 16.000,00 para R$ 16.705,60 na "Preservação", e assim por diante. Aplicando o mesmo reajuste à "Lavoura Aptidão Boa", o valor de 2026 deveria ser R$ 29.234,80. O que a tabela publicou foi R$ 292.348,04 — exatamente dez vezes esse número.

Some-se a isso que a coluna "Boa" publicada ficou 11,7 vezes acima da "Regular" do mesmo município, quando a diferença entre essas duas faixas de aptidão é normalmente de poucos pontos percentuais. O indício de deslocamento de vírgula é forte.

Em Francisco Badaró o padrão se repete com menos precisão, mas na mesma direção: as demais categorias variaram entre 0% e 25% (mediana de 11,1%), e um valor de R$ 6.000,00 na coluna "Boa" — um décimo dos R$ 60.000,00 publicados — ficaria perfeitamente alinhado com esse comportamento.

Se você atende clientes nesses dois municípios, não use o valor da coluna "Boa" sem confirmar antes. O recomendado é aguardar eventual retificação da Receita Federal ou, se for preciso declarar antes disso, fundamentar o cálculo com outra fonte — laudo técnico de avaliação ou SNCR — e guardar a documentação de respaldo.

Por que isso importa na prática

A tabela de VTN parece um dado estático, mas ela muda a base de cálculo do ITR e pode gerar exposição nos dois sentidos:

Conferir a variação ano a ano, e não só o valor absoluto do exercício corrente, é o que separa uma declaração bem fundamentada de uma que apenas repete o número da tabela. Vale lembrar que o VTN declarado hoje também define o ganho de capital no dia da venda — assunto que tratamos no artigo sobre ganho de capital na venda de imóvel rural.

Com a DITR 2026 aberta de 10 de agosto a 30 de setembro, há pouca margem para descobrir uma variação dessas no fim do prazo. Se a intimação já chegou por VTN subavaliado em exercícios anteriores, veja como funciona a defesa em autuações de ITR.

É exatamente esse cruzamento — tabela nova, tabela anterior e sinalização de risco por município — que fica automatizado dentro do TerraFiscal ITR, para quem não quer conferir linha por linha a cada exercício.

Confira o VTN do seu município antes de declarar

O TerraFiscal ITR cruza a tabela de VTN do exercício com a do ano anterior e sinaliza os municípios com variação atípica — antes que a diferença apareça na malha fiscal.

Falar pelo WhatsApp Conhecer o TerraFiscal ITR
Fontes:
Receita Federal — Tabela de Valores de Terra Nua 2026 (publicada em 07/08/2026, 13h47) · Receita Federal — Tabela de Valores de Terra Nua 2025 · Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996 (arts. 8º, 10 e 14)

Comparativo elaborado a partir do cruzamento das tabelas oficiais dos exercícios 2025 e 2026. Este artigo tem finalidade informativa e não substitui a conferência da fonte oficial nem a análise individual de cada imóvel.